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Confusão encerra audiência com Moro na Câmara

03.07.2019

BRASÍLIA - Após mais de sete horas de sessão, a audiência com o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara foi encerrada nesta terça-feira, 2, após uma confusão generalizada entre deputados da base e da oposição. O tumulto começou quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) afirmou que Moro iria entrar para história como "o juiz mais corrupto da história do Brasil".

 

A declaração causou protestos de parlamentares, que interpelaram o deputado do PSOL. A discussão chegou à mesa da presidência, onde Moro respondia, desde as 14h, questionamentos sobre mensagens trocadas entre ele e procuradores da Lava Jato, vazadas pelo site The Intercept Brasil.

 Confusão durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, em Brasília, que ouve o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro

Foto: Gabriela Biló / Estadão

 

Cercado por seguranças e deputados do PSL, Moro deixou o local por uma porta lateral. A deputada Professora Marcivânia (PCdoB-MA)presidia a sessão e encerrou o depoimento.

 

O depoimento do ministro da Justiça na CCJ transformou-se em uma arena de embates entre deputados da oposição e o ex-juiz da Lava Jato. Sem a mesma "blindagem" que teve quando foi ao Senado, há 13 dias, Moro se irritou com perguntas, disse não haver "inocentes" presos e afirmou que acompanha como "vítima" as investigações da Polícia Federal sobre a troca de mensagens atribuídas a ele e a procuradores da Lava Jato.

 

Em mais de sete horas de sabatina, Moro negou-se a confirmar ou rejeitar o conteúdo dos diálogos divulgados pelo site The Intercept Brasil e classificou como "revanchismo" os ataques que vem recebendo. "Há uma tentativa criminosa de invalidar condenações", afirmou ele. "Qual foi a mensagem que revela que tem inocente condenado? Que inocentes?", questionou.

 

A oposição se revezou nas críticas a Moro e o clima esquentou várias vezes, com muito bate-boca na sessão. Dois dias depois das manifestações de rua em apoio a ele, à Lava Jato e à reforma da Previdência, porém, o ministro parecia mais seguro e até fez ironias com o episódio. "Se as minhas mensagens não foram adulteradas, não tem nada ali, nada. É um balão vazio cheio de nada", insistiu Moro.

 

Fonte: Estadão

 

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