Advogados japoneses de Carlos Ghosn se retiram do caso


O escritório de advogados japoneses que defendia Carlos Ghosn anunciou nesta quinta-feira (16) a saída do caso do executivo, como resultado da fuga do ex-CEO da Renault-Nissan para o Líbano.

"Hoje entregamos ao tribunal de Tóquio uma carta com a renúncia de todos os advogados do gabinete de Hironaka para todos os assuntos relativos a Carlos Ghosn", explicou o advogado Junichiro Hironaka em comunicado.



A decisão não é uma surpresa, já que Hironaka, de 74 anos, disse que se retiraria após a fuga de seu cliente. Porém, era esperado que outros advogados de seu escritório assumissem o caso de Ghosn.


Dois outros escritórios de advocacia japoneses, o de Hiroshi Kawatsu e o de Takashi Takano, trabalham com Hironaka há um ano para defender Carlos Ghosn, sobre o qual estão pendentes quatro acusações.


Nas entrevistas que deu a vários meios de comunicação do Líbano, Ghosn declarou que precisava de seus defensores japoneses.

Eles estão em uma situação delicada, agora, devido à fuga de seu cliente. A proibição de deixar o país era uma condição para sua libertação sob fiança, pela qual os advogados se tornaram garantidores.


Hironaka não permitiu que os promotores entrassem em seus escritórios na semana passada para apreender o material relativo ao caso Ghosn. Os investigadores suspeitam de que ele tenha preparado sua fuga do computador que o escritório tinha colocado à sua disposição nas suas instalações.


O tribunal de Tóquio validou nesta quinta-feira a separação dos processos no caso Ghosn, segundo a imprensa japonesa.

Ghosn deveria ser julgado ao mesmo tempo que seu ex-braço direito Greg Kelly e a Nissan no capítulo sobre sonegação. Na ausência de Ghosn, apenas as outras duas pessoas serão julgadas, pois o direito penal japonês não prevê um processo à revelia.


Embaixador francês teria avisado sobre 'conspiração'


Carlos Ghosn afirmou que o embaixador da França o avisou pouco antes de sua prisão de que a montadora japonesa estaria tramando contra ele.

"Francamente, fiquei chocado com a prisão e a primeira coisa que pedi era para que se certificassem de que a Nissan soubesse para que me enviassem um advogado", disse Ghosn à Reuters em entrevista na capital libanesa na terça-feira (14).


"No segundo dia, 24 horas antes disso, eu recebi uma visita do embaixador da França que me disse: 'A Nissan está se voltando contra você'. E foi aí que percebi que era tudo uma conspiração."

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