O telescópio da Nasa identificou 104 novos planetas fora do Sistema Solar e 4 semelhantes à Terra


O telescópio da Nasa identificou 104 novos planetas fora do Sistema Solar. Alguns podem ser candidatos a abrigar vida


Houve um tempo em que os astrônomos achavam que planetas fossem corpos raros no Universo. Isso porque eles são difíceis de identificar – um planeta não tem luz própria. À distância, nossos telescópios – que captam ondas do espectro eletromagnético – não percebem sua presença. Há coisa de pouco mais de dois meses, otelescópio Kepler, da Nasa, pôs por terra essa dúvida ao identificar 1.284 planetas fora do Sistema Solar de uma só vez. Foi uma enxurrada de exoplanetas – aqueles que orbitam outras estrelas que não o nosso Sol. Nesta segunda-feira (18), a equipe por trás do telescópio anunciou nova descoberta: confirmou 104 exoplanetas. Nesse meio, identificaram um sistema planetário no qual existemquatro planetas semelhantes à Terra. O feito foi uma realização de um grupo de mais de 40 cientistas espalhados pelo mundo. Para descobrir essa centena de novos planetas, Kepler direcionou suas lentes para cinco diferentes pontos do espaço na esperança de flagrar eclipses. Dedicou três meses de observação a cada ponto. Como um planeta não tem brilho próprio, os astrônomos precisam esperar que ele passe em frente a sua estrela e gere uma sombra. ÉPOCA já explicou em um vídeo como funciona esse método. O telescópio encontrou 197 candidatos a planeta, que passaram por uma peneira realizada com o auxílio de outros telescópios em terra.

Os quatro planetas semelhantes ao nosso foram encontrados orbitando a estrela k2-72, uma anã vermelha a 181 anos-luz da Terra. Ela tem cerca de metade da massa do nosso Sol – e é bem menos brilhante. Os quatro planetas que a orbitam são ligeiramente maiores que a Terra – têm diâmetro entre 20% e 50% maior. São promissores, e possíveis candidatos a abrigar vida, por mais de uma razão – primeiro, há grandes chances de que sejam planetas rochosos. E ao menos dois deles recebem radiação solar em quantidade equivalente à recebida pela Terra. A k2-72 é menos brilhante que o Sol, mas mantém seus planetas em órbitas mais apertadas. Eles estão tão próximos de sua estrela quanto Mercúrio está da nossa (e Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol). Isso os mantém aquecidos, apesar de sua estrela opaca. A descoberta também é importante porque mostra que o Kepler continua ativo e passa bem, obrigado. O telescópio da Nasa precisou passar por reparos em 2013, quando os cientistas acharam que ele estava quebrado além de qualquer possibilidade de salvação. Os 1.284 planetas anunciados em maio foram detectados por Kepler antes dessa reforma. Esses 100 novos corpos representam a primeira descoberta do telescópio em sua nova fase. Nessa nova encarnação, Kepler consegue observar o que ocorre em torno das anãs vermelhas – estrelas menores que o nosso Sol e que são muito mais comuns na Via Láctea. “Como as estrelas menores são muito comuns na nossa galáxia, pode ser que a vida ocorra mais frequentemente ao redor de estrelas vermelhas e frias, e não em planetas que orbitam estrelas como a nossa”, disse o astrofísico Ian Crossfield, líder da pesquisa.


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